22 de setembro de 2015

Dia Mundial Sem Carro

Estou há anos tentando escrever algo sobre trânsito e mobilidade urbana, mas acho que falta conhecimento político e experiência própria, vivência no que é se mover em uma cidade grande, que no meu caso é o Rio de Janeiro.
Assim que comecei a estudar na UFF, veio a felicidade da aprovação no vestibular, mas também o caos de ter de me transportar da Barra da Tijuca para Niterói todo dia. Eu tive uma sorte que muuuuito poucos tem: pegava uma carona com meu pai até a estação das Barcas, Praça XV, e, de lá, seguia meu caminho para Niterói. Na volta, pegava novamente a barca e um ônibus até em casa. Normalmente, o percurso da volta demorava 2 horas, o que é demais. Demais por que? Simples. Porque se fosse de carro, demoraria 40 minutos. Depois volto a este assunto. Gostaria de falar primeiro o que me motivou a escrever sobre isso.
Me formei na UFF. Felicidade resume. Passei para o Mestrado na PUC. Mais felicidade resume. Caos no trânsito também. Muito mais do que ir para UFF. Inacreditável. Não é? O trânsito na Zona Sul é o pior do mundo! As ruas e vias importantes tem no máximo 2 faixas. Como isso me deixa irritado! Muitas obras deste setor estão sendo feitas nos últimos anos na cidade e o mais incrível é que, mesmo estudos mostrarem que o uso de carros aumentaram, as ruas tem sempre duas faixas. Confesso que essa indignação mora no lado "coxinha" do meu cérebro, pois a solução para o caos não é aumentar o número de faixas das vias (Outro assunto, gente).
Indo e vindo de ônibus para a PUC eu pude perceber o que não conseguia enquanto ia para a UFF: muito dos carros que estão no engarrafamento só tem uma pessoa dentro! UMA PESSOA! Conforme o BRT passa pelo corredor especial, consigo ver os  carros parados na Avenida das Américas e a grande maioria com apenas uma pessoa dentro. Não posso reclamar muito, pois eu ia de carro para a UFF e só tinha eu dentro do carro. A desculpa que utilizava (utilizo) é a demora, mas agora consigo ver como isto é um fato absurdo da sociedade.
Um dia eu li em alguma reportagem da vida uma "definição" de país desenvolvido que me deixou bastante pensativo, mas foi a melhor que já vi. E era bem simples: "país desenvolvido não é onde o pobre anda de carro, mas, sim, onde o rico anda de ônibus".

Nenhum comentário:

Postar um comentário